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REFORMA TRIBUTÁRIA É TEMA DE TALK CLASSE A, QUE ABORDOU IMPACTOS NA GESTÃO DAS EMPRESAS
A primeira edição do Talk Classe A reuniu sócios e especialistas da própria empresa para discutir um dos temas mais aguardados do ambiente empresarial: a Reforma Tributária. Transmitida ao vivo, a conversa contou com a participação de Luiz Felipe Pedi e Otávio Tordin, que esclareceram dúvidas práticas sobre as mudanças que começam a ser implementadas em 2026 e se consolidam em 2027.
Em um formato leve e direto, o bate-papo foi estruturado em torno de 10 perguntas que traduzem o impacto da nova legislação sobre as empresas brasileiras. A proposta foi aproximar as pessoas da realidade tributária, explicando o que muda, como cada setor será afetado e quais medidas precisam ser tomadas desde já.
Se você chegou até aqui e quer saber mais sobre a Reforma Tributária e o Talk Classe A, continue lendo para ver:
- Por Que Entender a Reforma Tributária Agora é Tão Importante
- O Que Realmente Muda Com a Reforma Tributária
- O Que é o Split Payment e Por Que Ele Muda Tudo
- A Alíquota Média e o Modelo de Cobrança “Por Fora”
- O Fim da Guerra Fiscal e os Novos Benefícios Nacionais
- Vamos Resumir Tudo Sobre o Talk Classe A Sobre Reforma Tributária
Por Que Entender a Reforma Tributária Agora é Tão Importante
A Reforma Tributária altera regras constitucionais, substitui tributos e muda a forma como impostos são calculados e cobrados. Por isso, a compreensão antecipada das mudanças é necessária para adaptar sistemas, contratos e processos internos.
Segundo Tordin, um dos objetivos centrais da reforma é a padronização, buscando-se reduzir a complexidade que hoje existe entre regras federais, estaduais e municipais. Essa mudança atinge empresas optantes pelo Simples, lucro presumido e lucro real.
Nesse sentido, ele explicou que a reforma traz novas regras de apuração e pagamento, com impactos operacionais: “o CBS vai ser federal, vai englobar PIS e Cofins, e o IBS vai ser estadual e municipal”. Essa reorganização de competências exige que você reveja como precifica produtos e serviços e avalie sistemas de emissão de nota fiscal e processos financeiros.
O Que Realmente Muda Com a Reforma Tributária
A Reforma Tributária representa a substituição de um sistema fragmentado por um modelo que busca simplicidade e uniformidade. Durante o Talk Classe A, Otávio Tordin explicou que o objetivo central é unificar regras e reduzir a complexidade que há hoje entre tributos federais, estaduais e municipais.
Na prática, essa mudança se materializa com o fim de tributos tradicionais como PIS, Cofins, ICMS e ISS, que darão lugar a dois novos impostos de base ampla: CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal; e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), administrado por estados e municípios.
O especialista também destacou que a reforma traz uma base de incidência unificada, de maneira que o imposto incidirá sobre o consumo, independentemente da etapa da cadeia. Isso reforça o caráter de tributação no destino, ou seja, o imposto passa a ser devido no local onde ocorre o consumo, e não mais na origem da produção.
Outra mudança importante é a criação do Imposto Seletivo, que terá função extrafiscal, voltada para produtos e serviços que causam impacto ambiental ou social negativo. O novo modelo, portanto, elimina parte da sobreposição de legislações que hoje confundem empresas e profissionais. Essa padronização permitirá um ambiente de negócios mais previsível, mas exige que o período até 2027 seja encarado como um tempo de preparação, no qual compreender as novas bases de cobrança e ajustar processos internos será importante para a sustentabilidade da sua empresa.
O Que é o Split Payment e Por Que Ele Muda Tudo
Um dos temas centrais do Talk Classe A foi o Split Payment. Trata-se de um sistema em que o valor dos tributos é automaticamente separado no momento em que ocorre a transação comercial.
Hoje, de acordo com Tordin, “As empresas estão acostumadas a pagar impostos mediante a guia mensal”, porém, com o Split Payment, quando uma venda for realizada, o pagamento não irá integralmente para a conta da empresa. O sistema divide o montante, destinando a parte referente aos tributos diretamente ao governo, sem necessidade de emissão de guias ou cálculo posterior. O restante segue para a conta da empresa vendedora, representando apenas a receita líquida da operação.
“Por exemplo, quando uma empresa faz a venda de um produto, uma empresa A para uma empresa B, ela emite a nota fiscal, emite um boleto fiscal ou existe uma forma de pagamento eletrônico. Com esse pagamento eletrônico, o cliente, que é o comprador, vai efetuar o pagamento da parcela devida para o fornecedor ou do boleto ou via cartão de crédito de alguma forma. E nessa transação bancária, automaticamente, o banco já vai separar o que é o imposto do governo e já vai enviar direto para o comitê gestor dos impostos e vai enviar somente o valor líquido para o fornecedor. Ou seja, o pagamento do imposto aconteceu de forma automática. Aquele fornecedor não teve uma guia de imposto para pagar, ele teve uma nota fiscal e, por exemplo, um boleto”, explicou Tordin.
A Alíquota Média e o Modelo de Cobrança “Por Fora” na Reforma
Entre os pontos que mais geram dúvida sobre a Reforma Tributária está o percentual efetivo da nova carga fiscal. No Talk Classe A, a resposta foi clara: a alíquota média combinada, somando o tributo federal (CBS) e o estadual/municipal (IBS), deverá ficar em torno de 26,5%, distribuída aproximadamente entre 17% para estados e municípios e 8,8% para a União. Porém, conforme Tordin, “Mas isso a gente só vai ter a certeza a partir do ano que vem, porque ano que vem, a partir de janeiro de 2026, começa o ano de teste, e o governo está usando esse teste para acompanhar as novas adequações nas notas fiscais e também para ter uma previsão de arrecadação. São alíquotas testes, […] e, com base nisso, eles vão fazer as projeções”.
Apesar de parecer alta, essa alíquota não representa necessariamente aumento de impostos. O novo sistema pretende simplificar o recolhimento e tornar mais transparente o valor pago em cada etapa da cadeia. Isso acontece porque o modelo passará a ser “por fora”, isto é, o valor do tributo será adicionado ao preço do produto ou serviço, e não embutido nele, como ocorre hoje. “Então, se o produto custa R$ 100, nesses R$ 100 não vai estar mais embutido o imposto. O imposto vai ser por fora. Então, R$ 100 + 26,5%, ou seja, R$ 100 de produto, R$ 126,50 de total de nota, sendo R$ 26,50 de imposto”, exemplificou Tordin.
Outro ponto merecedor de atenção é que o imposto passa a ser cobrado no destino do consumo, e não na origem da produção. Isso muda a lógica de arrecadação e impacta diretamente o comércio eletrônico, já que o tributo será devido à localidade onde quem compra está, e não onde a empresa vendedora se encontra.
“Como cada estado e município ainda tem autonomia para ditar quais são as alíquotas, uma previsão constitucional que já existia e mesmo com a mudança se manteve, […] o que vai prevalecer é alíquota e a cidade daquele estado [para] onde a mercadoria está se destinando, onde o serviço está sendo prestado. Então, um e-commerce, por exemplo, ele vende um produto para o Brasil todo. Então, quando ele é um e-commerce de São Paulo e está vendendo para Minas Gerais, para Belo Horizonte, ele vai ter que olhar qual é a alíquota daquele produto em Belo Horizonte e Minas Gerais para saber qual é a carga tributária que ele vai informar na nota fiscal”, resumiu o especialista da Classe A.
Essa nova configuração reforça a importância de organização contábil e financeira precisa, especialmente para negócios que vendem online ou operam com clientes em diferentes regiões do país. A correta precificação e a conciliação de receitas exigirão ferramentas integradas e acompanhamento constante, o que pode ser facilitado pela atuação de empresas especializadas em gestão financeira terceirizada.
O Fim da Guerra Fiscal e os Novos Benefícios Nacionais
Um dos aspectos mais transformadores da Reforma Tributária, conforme abordado no Talk Classe A, é o fim da chamada guerra fiscal, prática que há décadas distorce a competitividade entre estados ao permitir a concessão de benefícios e incentivos tributários isolados. Cada unidade da federação criava suas próprias regras de isenção ou redução de ICMS para atrair empresas, o que gerava um cenário de disputa desigual e insegurança jurídica.
Com o novo modelo, essa fragmentação termina. A proposta unifica os regimes e cria benefícios padronizados em nível nacional, com reduções de alíquotas previstas diretamente em lei. A lógica deixa de ser territorial e passa a ser setorial, mediante a aplicação de critérios objetivos que valem para todo o país.
A nova estrutura prevê reduções uniformes de alíquotas, que buscam equilibrar o peso tributário conforme a relevância social e econômica de cada atividade. Entre os percentuais já mencionados, destacam-se:
- redução de 30% para serviços profissionais, como contabilidade e advocacia;
- redução de 60% para atividades médicas e de saúde;
- redução de 100% para medicamentos e produtos agrícolas, que passam a ter isenção total dentro da nova sistemática.
Esses ajustes refletem um esforço para tornar a tributação mais justa e proporcional ao impacto social de cada setor. Profissões de caráter essencial e bens ligados à alimentação e à saúde passam a ter alívio fiscal, enquanto produtos de consumo geral mantêm tributação plena.
O fim da guerra fiscal simboliza, portanto, uma transição de um sistema fragmentado para outro baseado em critérios transparentes e nacionais. A mudança exige adaptação, mas cria as condições para um crescimento mais equilibrado. As empresas que souberem reorganizar suas rotinas contábeis e financeiras de acordo com essa nova lógica terão maior estabilidade e competitividade no longo prazo.
Vamos Resumir Tudo Sobre o Talk Classe A Sobre Reforma Tributária
A Reforma Tributária representa um dos maiores movimentos de reorganização fiscal da história recente do país. Nesse contexto, o Talk Classe A mostrou que, embora o tema pareça distante do dia a dia da sua empresa, seus efeitos serão práticos e imediatos ao envolver novas alíquotas, nova forma de cálculo, novas responsabilidades e, acima de tudo, nova lógica de gestão financeira. Cada ajuste exigirá planejamento, adaptação de sistemas e acompanhamento técnico constante.
A reforma, portanto, é uma oportunidade para repensar processos, eliminar ineficiências e se preparar para um modelo tributário digital e mais justo. Quem compreender as mudanças desde já estará à frente, operando com dados confiáveis, decisões rápidas e conformidade plena.







